A vida é mulher. E a maioria desagradou a essa mulher. E foi assim que a pobreza apareceu no mundo, como forma de vingança dessa entidade feminina. Se pudesse ser vista, a olho nu, nua estaria ela, sentada na areia da praia, observando as ondas e pensando em como faria para tornar divertida a pobreza … Continue lendo Crônica antiquada da vida do homem moderno*
Tag: Rafael Rodrigo Marajá
Anístico*
A madrugada tem os pelos que voaram das brincadeiras alheias de cães e gatos, muitas das quais o perigo de uma morte fez-se presente nos mais elementares momentos inesquecíveis. O perigo não é o de uma morte sem presença de palco em uma vida completamente banal, tão igual a um infarto na hora gloriosa do … Continue lendo Anístico*
Fome*
Rói dentro do mundoO queimor do sem nem o quêRói o ácido espalhadoNo mundo internoDo corpo extensoRói o rueiroSem medoCorrói a fome.*Poema do livro Anjo da Guarda, de Rafael Rodrigo Marajá.
Morte Solitária*
Acenda o cigarroE queime o pulmãoA alma e a casaDestrua o fígadoCom garrafa aberta De cachaça ou uísqueArrase o olho com o pinoDo álcool inconsumidoMate-se sem levar consigoNada de dentro ou de fora.*Poema do livro Anjo da Guarda, de Rafael Rodrigo Marajá.
Passante Vida*
Obra: The Creation of the World and the Expulsion from Paradise. Giovanni di Paolo. 1445.Olhando para todosApressados e chorososFico na estanteNo seu cais atracadoSem estreias e cantadasSem ondas de alegriaOlhando apenas como A esfinge a planarEm areias andantesNa nudez riaDa solidez porcelanadaOlho da estante.*Poema do livro Anjo da Guarda, de Rafael Rodrigo Marajá.
Incerteza*
Obra: Chance Encounter at 3 A.M. Red Grooms. 1984.É isso. Não.Aquilo, talvezOu nãoBranco ou preto ou coloridoCerto ao contrárioDeitado ou em péTalvez, aquiloNão, é issoSim, é!*Poema do livro Anjo da Guarda, de Rafael Rodrigo Marajá.
Morte*
Luta, briga, falaCome, corre,cansaVai, vem e someClareia, distorcetorce e segueno caminho sem sentidoO sonho vem, acabaPassa e morre juntoCom a alma lembrada.*Poema do livro Anjo da Guarda, de Rafael Rodrigo Marajá.
Abandono*
Será que não vê mais Os mais do tempoOs ais dos casos?Que não sente maisA mão que afagaE apedreja outro olhar?Não mais está no casoPelo ódio desprezarO ar tirado?*Poema do livro Anjo da Guarda, de Rafael Rodrigo Marajá.
Poema 1*
Limpos os dentesPontes colaresDo passado tão presenteEnte de má famaFamigerado displicenteQuente está seu dramaNa cama de suas amasAcalma sua sanidade.*Poema do livro Anjo da Guarda, de Rafael Rodrigo Marajá.
Companhia solitária
Arte: War. Jackson Pollock. 1947.“O isolamento em companhia de uma pessoa era mais opressivo que a solidão completa.”Angústia, Graciliano Ramos.Se for um amor pela metade, onde só existem meias verdades, meias mentiras, é melhor que nem exista amor, mas tão-somente a liberdade para gozar, apaixonar-se, enraivecer-se e arrefecer em face de um contentamento inominável. Se for uma … Continue lendo Companhia solitária