As amadas fingem paixõesAs odiadas morrem de amoresAs amadas cruzam as pernasAs odiadas pintam os lábiosAs amadas sofrem no gozoAs odiadas gritam de prazerAs amadas fritam o amorAs odiadas comem-noQuem não haveria preferir sofrerEntre beijos e mordidas odiadasA sorrir com frigidezCom maçantes amadas?
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Poeira do sem-tempo
E quando você não vierNem mandar o vermelho dos olhosE quando você não chorarNem de grito arrebentar-seE quando você assustarNem sustar o desapontamentoE quando você é instanteE eu desinteressanteÉ quando você é poeiraE eu o sem-fim do tempoFoto: Paraty-RJ. Rafael Rodrigo Marajá
Sonho
Hoje eu sonheiQue você apareciaE sorriaDizia nadaSó observavaComo quem não quer nadaHoje eu vi vocêEncostada na paredeMe segurando pelo braçoMas o sono passouCeifou o risoEsfriou o abraçoE na bruma da auroraCom fulminante rapidezVocê foi emboraE nós tínhamos tempoAmadurecimentoFoto: Super lua. Agosto 2015. João Constantino.
Aflor
Sempre caladaFlor despedaçadaNo cais do tempoFosse meu intentoSendo ou não rebentoSem país ou alentoTerias meu amor atentoMas são pétalas ao ventoEsse amor em desalentoE nós, no sereno,Somos veneno.Foto (e mão) de Thayná Tenório
Lembra Lua
Foto: Lua Azul. João Constantino.Lua Azul, de SangueGrandeGiganteE quando olharEstampado sob o luarVocê vai lembrar de mim.
Do meu quarto ouvi a fuzilaria
Madrugada passada o silêncio banal de uns apartamentos, os gemidos de outros e o sono de alguns honrados cidadãos de tantos outros cubículos do cortiço Eucaliptos (ou Eucalyptus, eles ainda não se decidiram) foram interrompidos por uma discussão doméstica ao pé de um dos prédios.Uma mãe que literalmente pôs a filha sobre os ombros, e … Continue lendo Do meu quarto ouvi a fuzilaria
Sem nós
Não há amor que dure mais que uma estaçãoNão há ares mais leves [Só mais límpidos]Não há nósNunca houve o sósNem milhões de soisE se nunca o nunca existiuQuem dera a nós um dia existir.Vista da Casa da Cultura - Paraty-RJ. Rafael Rodrigo Marajá
Rosa morta
Ponta Verde, Maceió - ALApenas uma rosa foi morta.Cruzamos as pernas e entrecruzamos os passos, os braços, os laços criados. Implantamos as bases para a espionagem; para uma nova guerra e muitas invenções.Deixamos guardados os lenços.Mas não houve papel de embrulho nos presentes trocados - e quanta falta fizeram!A chuva criou poças de lama.A cama, coitada, … Continue lendo Rosa morta
Poema sem título
À ANão quero só o seu corpoCom água de cheiro e colôniaNão desejo apenas os seus olhosQuero seus olhares furta-corSeus desejos luminososSeus ossosMeus quereres são desejosSaciados apenas por suas vontadesÍntimas, indecentes.
Poeira dual
Seu perfume [Pimenta e verão]Agora é poeira [Morte e esquecimento]Você [Amor e desejo]Eu [Desprezo e nojo]Nós que somos a vidaAbismos e memóriasNão somos mais nem acasos.