Poeira do sem-tempo

E quando você não vierNem mandar o vermelho dos olhosE quando você não chorarNem de grito arrebentar-seE quando você assustarNem sustar o desapontamentoE quando você é instanteE eu desinteressanteÉ quando você é poeiraE eu o sem-fim do tempoFoto: Paraty-RJ. Rafael Rodrigo Marajá

Sonho

Hoje eu sonheiQue você apareciaE sorriaDizia nadaSó observavaComo quem não quer nadaHoje eu vi vocêEncostada na paredeMe segurando pelo braçoMas o sono passouCeifou o risoEsfriou o abraçoE na bruma da auroraCom fulminante rapidezVocê foi emboraE nós tínhamos tempoAmadurecimentoFoto: Super lua. Agosto 2015. João Constantino.

Do meu quarto ouvi a fuzilaria

Madrugada passada o silêncio banal de uns apartamentos, os gemidos de outros e o sono de alguns honrados cidadãos de tantos outros cubículos do cortiço Eucaliptos (ou Eucalyptus, eles ainda não se decidiram) foram interrompidos por uma discussão doméstica ao pé de um dos prédios.Uma mãe que literalmente pôs a filha sobre os ombros, e … Continue lendo Do meu quarto ouvi a fuzilaria