Felicidade invadeO rosto nos espaçosDos lábios fechadosAbrindo um sorrisoLargo e sem fimAbre caminho naFacilidade da rotinaVivida e cansadaDe sujeira e incolorPerfuma a casaE a rua no saboreioDo rodeio pensadoNo passado caídoE no florear o invernoTorna o inferno emParaíso cantado daCidade feliz.*Poema do livro Anjo da Guarda, de Rafael Rodrigo Marajá.
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Intocado*
Entra com a serraE a pena arrancadaDa ave barreada Do ribeirãoAdentra nos matosCortados, danados, da mata curvaCom a mão calosa do trabalhoDuro, firme, de cortar esses caulesSente o ar fechadoA terra virgem em queimaDe fogo brandoInundada de espécies cortadasMesmo vendo tão intocado lugarEntra e chama os serrotes vorazesAcaba com sensatez Na matança de vida.*Poema do … Continue lendo Intocado*
Partido*
Foto: View on the Columbia, Cascades. Carleton E. Watkins.O frio nos corpos soltosA fome devora os solitáriosA Luz contorna a escuridãoNa partida acabadaAcaba a partida no inícioAntes da consumaçãoNa hora da solidãoAlguns voltam ao seio deixadoOutros soltos ficamTantos ainda não mais aparecemE quando quiser poderá chamarNa calada da noiteNa borda da camaAquele a quem precisar.*Poema do … Continue lendo Partido*
Lembrança*
Pintura: Lilacs in a Window. Mary Cassatt. O que dirá vocêQue se foi para a terra,Longe como o sem fimDo meu samba?O que falará do eu Calibre nas rodas e bambaNo seu novo tempoLonge de mim?Citará sua farraEmbebida no doce da noiteOu no salgado do dia esqueceráO meu canto secreto?*Poema do livro Anjo da Guarda, de Rafael … Continue lendo Lembrança*
Tudo está bem*
Tudo bem se falar não querTudo bem se olhar não satisfazTudo bem se o sono não fazNo sono pegar e no sonho esquecerTudo bem se fez Tudo bem se não querTudo bem se não desejaDesejar de novoA mistura de sons faz Do alto de siPerder-se no abismo inglórioDa glória pretendidaTudo bem se não querTudo bem … Continue lendo Tudo está bem*
Sub*
Pintura: Mada Primavesi. Gustav Klimt. 1912.Não é preciso esconder-seEm sorrisos escancaradosNos lenços alheiosNo chão escavadoEm conversas velhasE nas músicas repetidasTampouco no poucoQue ainda restaDe tantos prazeres Grandes e pequenosIgnorantes e felizesSonhos feitosNada disso é preciso Para deixar de flutuar Nos braços queridosUm dia amadosÉ querido apenasQue no parar de gostarO beijo esclareçaO que a boca … Continue lendo Sub*
Pulsante*
Pegue a lâmina, brilhante e afiadaPasse-a no pulso e no pescoçoPara o brilho aumentarNo sangue que escorreDeixe de pudoresMundanos e insistentesCorte-os logo no afã da vidaE sofra por últimoA dor Mais dolorosa será a vidaSe nada for feitoNesse tempo que se podeDe golpe em golpeAcabar o ar invasor.*Poema do livro Anjo da Guarda, de Rafael Rodrigo … Continue lendo Pulsante*
Promessas*
Partirei na surpresa noturna dos sussurrosSurpreenderei seus passos ansiosos Passarei entre árvores e cemitériosCantarei ao seu ouvidoQuebrarei no espectro seu orgulho Destruirei sua imagem refletidaDesnudarei seu olhar teimosoPassarei entre o limite da razão e da loucuraExtirparei suas emoçõesReconstruirei sua mente antes do amanhecerE na ladeira jogarei seus medosTirarei suas preces do armárioDa sua fortuna nada … Continue lendo Promessas*
Notícia*
Espere na cercaDo mato a limparQue um cigarroVou comprarPara o mato limparE no mato o menino fazerQue do trabalho tenho a comida do feitoEspere parado na cercaQue o vento traráA notícia da idaDe trabalho parida.*Poema do livro Anjo da Guarda, de Rafael Rodrigo Marajá.
Luta*
Sujo-me com o sangueDos enterrados vivosNa miséria telúricaDas terras passadasSujo-me com a corDo sangue derramadoEm emboscadas e alvosDas dívidas pagasSujo-me com prantoEm rubro cantoDas viúvas de órfãos Clandestinos e tidos Sujo-me com o leiteDerramado e queimadoCom o tiro disparadoNo vermelho entardecer.*Poema do livro Anjo da Guarda, de Rafael Rodrigo Marajá.