Arte de Gabriela Santos.À G.S.Tenho em mim a poesia do teu corpo em cheiros que não se desfazem com banhos ordinários.Tenho em meus olhos as luzes que resplandecem a cada manhã, nunca ordinárias ao teu lado.Eis que tenho verdades que não se desfazem em tuas mãos, mas que se constrangem diante do teu olhar.Tens, em … Continue lendo Viés
Tag: Poema
Vida imposta
Obra: Convalescent, Mme Lepère. Auguste-Louis Lepère. Met.Sob este mesmo céuainda ouço o estalar do chicotee o sangue que de mim escorreSob esta mesma pele sinto a vidae a tristeza que de mim se desprendeem ondasem doresem saudadesSob esta vida que me impôssob este céu que me obriga a viversinto as feridas que faz mimuma triste … Continue lendo Vida imposta
Exu Tranca-Rua
Foto: Igreja bairro Eucalipto. Por Gabriela Santos. 2019.À meia-noite o galo cantou, a gira rodou, Ogum que mandou.Vem chegando Seu Tranca-Rua, resolvendo as pendengas dos seus protegidos, defendendo os inocentes dos males e das injustiças.Estabelecendo ora a paz, ora a confusão. Deu meia-noite vem lá o homem que tranca as ruas, os caminhos e as … Continue lendo Exu Tranca-Rua
Poema a Oxum
Foto: imagem da internet. Oxum.A beleza que flutua nas águas do meu ser é d'OxumA força que move meus desejos por entre as matas do teu ser … Continue lendo Poema a Oxum
Um corpo infeliz
A sua ira fria, já amargando na boca,vai se transformando em tristeza uma tristeza tão oca que no fundo vira vaporA sua ira uma dia se cristaliza vira infelicidade e te devoraE o seu corpo, pendurado no teto rangerá a eterna melodia dos infelizes que, um dia, foram apenas ira
Fome*
Rói dentro do mundoO queimor do sem nem o quêRói o ácido espalhadoNo mundo internoDo corpo extensoRói o rueiroSem medoCorrói a fome.*Poema do livro Anjo da Guarda, de Rafael Rodrigo Marajá.
Morte Solitária*
Acenda o cigarroE queime o pulmãoA alma e a casaDestrua o fígadoCom garrafa aberta De cachaça ou uísqueArrase o olho com o pinoDo álcool inconsumidoMate-se sem levar consigoNada de dentro ou de fora.*Poema do livro Anjo da Guarda, de Rafael Rodrigo Marajá.
Passante Vida*
Obra: The Creation of the World and the Expulsion from Paradise. Giovanni di Paolo. 1445.Olhando para todosApressados e chorososFico na estanteNo seu cais atracadoSem estreias e cantadasSem ondas de alegriaOlhando apenas como A esfinge a planarEm areias andantesNa nudez riaDa solidez porcelanadaOlho da estante.*Poema do livro Anjo da Guarda, de Rafael Rodrigo Marajá.
Incerteza*
Obra: Chance Encounter at 3 A.M. Red Grooms. 1984.É isso. Não.Aquilo, talvezOu nãoBranco ou preto ou coloridoCerto ao contrárioDeitado ou em péTalvez, aquiloNão, é issoSim, é!*Poema do livro Anjo da Guarda, de Rafael Rodrigo Marajá.
Morte*
Luta, briga, falaCome, corre,cansaVai, vem e someClareia, distorcetorce e segueno caminho sem sentidoO sonho vem, acabaPassa e morre juntoCom a alma lembrada.*Poema do livro Anjo da Guarda, de Rafael Rodrigo Marajá.