Foto: Man Lighting Girl's Cigarette (Jean Patchett). Irving Penn.E lá vinha eu, pela turbulenta avenida Alagoas, que agora até de nome mudou, já noite adentro, em um frio domingo típico de Palmeira dos Índios, quando uma bêbada, do outro lado da rua, gritou em minha direção, desfechando em meu peito a milagrosa coincidência do destino … Continue lendo A bêbada desequilibrada
Tag: Metmuseum
"Amor" de etiqueta
Obra: Fishing Boats, Collioure. André Derain. 1905. Metmuseum.Há quem compre o afeto - e depois o "amor" - com presentes e promessas. Conheço uma mulher que resolveu comprar o "amor de sua vida" através do empréstimo do carro, realizando as fantasias sexuais do amante e contribuindo para a formação acadêmica do rapaz, em uma relação … Continue lendo "Amor" de etiqueta
00:00 – Realidade divagada*
Quadro: Before Dinner. Pierre Bonnard. 1924.Quando eu chegar à sua casa, espero que esteja tudo fora do lugar, em uma histeria que somente nós possamos entender o porquê do açúcar estar no banheiro e da maquiagem na geladeira. E aguardo até que a desordem transforme-se em um aglomerado de coisas falantes, cada um com uma … Continue lendo 00:00 – Realidade divagada*
23:59 – Chore*
Quadro: Ariadne. Giorgio de Chirico. 1913.As lágrimas são os dons que fluem abundantemente naqueles que não têm medo de cair na vida sem projetos nem projeções. São as formas de demonstrar, quando não há mais o que falar, o que deu certo, mesmo dando errado. E quão sortuda é a pessoa que, no íntimo de … Continue lendo 23:59 – Chore*
23:58 – Insolência*
Quadro: Venus and Adonis. Tiziano Vecellio. Não pergunte quando vou deixar de te amar porque a resposta pode ser dura o suficiente para quebrar tuas pernas em pedaços pequenos demais para serem colados. E não perguntes se ainda te amo já que não desejas ouvir coisas desagradáveis. Não vou medir palavras para a realidade jogar à … Continue lendo 23:58 – Insolência*
23:55 – Rotina*
Quadro: Mountain Stream. John Singer. 1912-14. Os ventos nada fazem para aplacar o sol no meio da manhã e trazem, em suas embalagens e folhas secas, as provas de um dia que inicia o recomeço de uma rotina apenas vivida entre tantas outras máquinas e distúrbios. As folhas celulósicas trazem os dizeres de amor de um … Continue lendo 23:55 – Rotina*
23:49 – Chamado*
Quadro: Reflection in the Mirror. Henri Matisse. 1923. Um chamado no portão desperta os sentidos mais inconsciente de ouvidos desatentos no fundo das ondas sonoras do medroso clamor noturno. Poupam-se os demais sentidos da surpresa desmedida feita no entardecer cedo de qualquer hora em que a vontade bate e o desejo salta aos olhos como selvagens … Continue lendo 23:49 – Chamado*
Excesso de veneno
Escultura: The Intoxication of Wine. Clodion. ca 1780-90.Sem nos darmos conta acabamos matando o amor com pequenas doses de veneno. Algumas vezes, não raras, colocamos exageros de paixão ou muitas miligramas de indiferença nesse veneno. Outas vezes nós apenas deixamos de adicionar compreensão nos pequenos impasses da vida. O veneno também é remédio se for … Continue lendo Excesso de veneno
23:47 – Traição*
Quadro: Seated Harlequin. Pablo Picasso. 1901. MetmuseumFalar é o começo de qualquer bar cheio de bêbados sem casa, agitando a animada conversa no outro lado da rua sem o pudor da intromissão em particular discussão de ex-amados. Na gesticulação de palavras ofensivas estão os casos segredados jogados ao chão como coisas sem valor certa vez … Continue lendo 23:47 – Traição*
A maioria mórbida
Quadro: Allegory of the Planets and Continents. Giovanni Batista Tiepolo. 1752.Você tem que ter o corte de cabelo do momento, vestir um determinado tipo de roupa e não saber de quase nada para ser cool. Você tem que deixar de ser você e buscar o que a maioria quer se quiser ser aceito por essa … Continue lendo A maioria mórbida