Quadro: The Sofa. Henri de Toulouse-Lautrec. MetMuseumAlimentava-me de suas conquistas como se elas fossem o mais nobre manjar. Respirava seu perfume para que os odores do mundo não ofuscassem seu leve passar entre rosas e gramas. Se suor foi engarrafado e bebido nas noites quentes e, nas frias, destrancava seu calor para um adormecimento tranquilo. … Continue lendo 21:30 – Alter-ego*
Tag: Artes Plásticas
21:01 – A loucura está no amor*
Quadro: Wheat Field With Cypresses. Vicent Van Gogh. 1889. MetMuseumUm riso incontrolável inflamou-o peito a fora, brotando nos lábios e traduzindo uma explosão de felicidade louca e sem sentido, explicada apenas pela loucura e pela ausência de sentimentos, na estupefação da descoberta. Esperava gritar, no silêncio da dor, chorar, magoar-se, morrer uma segunda morte em … Continue lendo 21:01 – A loucura está no amor*
Fantasiando estupidez
Obra: Garden at Saint-Adresse. Claude Monet. 1867.“Estupidez fantasiar dificuldades.”Insônia, Graciliano Ramos.As dificuldades sempre irão existir. A natureza dual do ser humano, refletida em suas obras artísticas, nas megaconstruções, nos devaneios de amor e glória, exige, por si só, o elemento dificultoso para que a recompensa seja doce e todas as atrocidades realizadas com o propósito … Continue lendo Fantasiando estupidez
Olhar de Jeca
Fonte: MetMuseum. Asher Brown Durand.No céu, em veludo negro, a lua reflete sua luz em uma terra ainda quente. No quintal, em meio ao lixo de dias e dias acumulados, com uma galinha que não voa de um lado, um jeca fala à lua seus desânimos. E chora. Chora baixinho, quase fazendo uma prece ao … Continue lendo Olhar de Jeca
Vida e morte
Obra: Dune Landscape with Oak Tree. Jacob van Ruisdael. 1650-1655.Tem gente que morre aos poucos, em doses homeopáticas. Uns sentam toda tarde, com u cigarro entre os dedos da mão direita e um copo de café na esquerda enquanto o tempo passa lento, trazendo as sombras da noite. Outros, com menos coragem, jogam-se de pontes … Continue lendo Vida e morte
Passante Vida*
Obra: The Creation of the World and the Expulsion from Paradise. Giovanni di Paolo. 1445.Olhando para todosApressados e chorososFico na estanteNo seu cais atracadoSem estreias e cantadasSem ondas de alegriaOlhando apenas como A esfinge a planarEm areias andantesNa nudez riaDa solidez porcelanadaOlho da estante.*Poema do livro Anjo da Guarda, de Rafael Rodrigo Marajá.
Teu silêncio
Obra: Womam in a Blue Dress. Thomas Wilmer Dewing.O teu silêncio oferece-me uma liberdade que não me agrada. A falta dos ruídos que fazes não me proporciona prazer algum. Onde está o histérico sorriso que me aprisiona em completo estarrecimento? Onde estão as suas chamadas intermitentes? Onde está você, contraditória, esquecida, que não me liga … Continue lendo Teu silêncio
Amor russo
Obra:The Trout Pool. Worthington Whittredge. 1870.“Se é para amar, então é amar por inteiro.”A Dócil, Fiódor Dostoiévski.Quando acordou naquela manhã e início de primavera o que lhe passou pela cabeça foram os beijos de bocas diversas, sem vida, sem vontade, sem desejo. Ansiava por um amor que pudesse avassalá-la, deixa-la enamorada pelas músicas mais infantis … Continue lendo Amor russo
Fogo-fátuo
Obra: Tables of Ladies. Edward Hopper. 1930.“Era um amor doente, desesperado, que a consumia como uma chama.”Fogo Morto, José Lins do Rêgo.Era indecente. Vulgar. Um sentimento tão baixo quanto a própria prostituição e que lhe tirava a paz, a calma, o sossego de um amor inocente. Esse sentimento que lhe arrancava a roupa, queimava-lhe a … Continue lendo Fogo-fátuo
Incerteza*
Obra: Chance Encounter at 3 A.M. Red Grooms. 1984.É isso. Não.Aquilo, talvezOu nãoBranco ou preto ou coloridoCerto ao contrárioDeitado ou em péTalvez, aquiloNão, é issoSim, é!*Poema do livro Anjo da Guarda, de Rafael Rodrigo Marajá.