A madrugada tem os pelos que voaram das brincadeiras alheias de cães e gatos, muitas das quais o perigo de uma morte fez-se presente nos mais elementares momentos inesquecíveis. O perigo não é o de uma morte sem presença de palco em uma vida completamente banal, tão igual a um infarto na hora gloriosa do … Continue lendo Anístico*
Autor: Rafael Rodrigo Marajá
Fome*
Rói dentro do mundoO queimor do sem nem o quêRói o ácido espalhadoNo mundo internoDo corpo extensoRói o rueiroSem medoCorrói a fome.*Poema do livro Anjo da Guarda, de Rafael Rodrigo Marajá.
Fantasiando estupidez
Obra: Garden at Saint-Adresse. Claude Monet. 1867.“Estupidez fantasiar dificuldades.”Insônia, Graciliano Ramos.As dificuldades sempre irão existir. A natureza dual do ser humano, refletida em suas obras artísticas, nas megaconstruções, nos devaneios de amor e glória, exige, por si só, o elemento dificultoso para que a recompensa seja doce e todas as atrocidades realizadas com o propósito … Continue lendo Fantasiando estupidez
Morte Solitária*
Acenda o cigarroE queime o pulmãoA alma e a casaDestrua o fígadoCom garrafa aberta De cachaça ou uísqueArrase o olho com o pinoDo álcool inconsumidoMate-se sem levar consigoNada de dentro ou de fora.*Poema do livro Anjo da Guarda, de Rafael Rodrigo Marajá.
A canção mais linda
Uma das canções mais lindas que já ouvi é surpreendentemente atemporal. Do repertório do cantor e compositor Oswaldo Montenegro, A vida quis assimé simplesmente bela, emocionante e rica – um exemplo da beleza da poesia brasileira e da sonoridade das palavras. Com um arranjo à altura da poesia, através da voz ímpar de Montenegro, essa … Continue lendo A canção mais linda
Olhar de Jeca
Fonte: MetMuseum. Asher Brown Durand.No céu, em veludo negro, a lua reflete sua luz em uma terra ainda quente. No quintal, em meio ao lixo de dias e dias acumulados, com uma galinha que não voa de um lado, um jeca fala à lua seus desânimos. E chora. Chora baixinho, quase fazendo uma prece ao … Continue lendo Olhar de Jeca
Vida e morte
Obra: Dune Landscape with Oak Tree. Jacob van Ruisdael. 1650-1655.Tem gente que morre aos poucos, em doses homeopáticas. Uns sentam toda tarde, com u cigarro entre os dedos da mão direita e um copo de café na esquerda enquanto o tempo passa lento, trazendo as sombras da noite. Outros, com menos coragem, jogam-se de pontes … Continue lendo Vida e morte
Pelo telefone
Obra: Fragment of a Queen's Face - reign of Akhenaten. Dinasty 18. 1353-1336 B.C.Seminua, olhando o teto, falava ao telefone. A língua tocava nos dentes brancos sibilando uma voz macia, suave, sussurrada. Excitava-o com frases incendiárias faladas baixinho, em um sussurro provocante. Sua mão subia por suas coxas, apertando-se, quente, voluptuosa, enquanto palavras pulsantes atravessavam … Continue lendo Pelo telefone
Educação Crítica
Fonte: imagem da internet“A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”Constituição Federal de 1988, Art. 205.A formação de uma geração capaz de tomar … Continue lendo Educação Crítica
Passante Vida*
Obra: The Creation of the World and the Expulsion from Paradise. Giovanni di Paolo. 1445.Olhando para todosApressados e chorososFico na estanteNo seu cais atracadoSem estreias e cantadasSem ondas de alegriaOlhando apenas como A esfinge a planarEm areias andantesNa nudez riaDa solidez porcelanadaOlho da estante.*Poema do livro Anjo da Guarda, de Rafael Rodrigo Marajá.