Fotografia: Still from an Untitled Film. Cindy Sherman. 1978.Não é raro ouvir, quando não em uma acalorada discussão, um parente, como mãe, pai ou semelhantes, gritar "Vá roubar, dar o cu, se vire" para um filho (ou filha) quando o assunto é meios de sustentar-se financeiramente ou para alcançar um objetivo que depende, senão em … Continue lendo O mal lar
Autor: Rafael Rodrigo Marajá
22:45 – Quase morte*
Escultura: Seated Figure. 13th century. MetMuseumA paisagem corria solta janela a fora pintada com um verde forte e umas manchas acinzentadas pela chuva recente mostravam as feridas nos pequenos montes à beira da estrada. E as rodas frearam. O automóvel parou após um longo silvo de pneus e asfalto. A paisagem parou. Eu parei.Parei entre … Continue lendo 22:45 – Quase morte*
22:31 – Tempo gasto*
Fotografia: Campden Hill. London. Bill Brandt. April 1949.O tempo que a pessoas gastam contigo é exatamente a expressão do quanto te valorizam.A chuva cai. A noite cai. As pétalas de uma flor caem. A pele cai sobre outros pedaços de pele. Os olhos deixam cair tudo aquilo que não se pode conter porque é grande … Continue lendo 22:31 – Tempo gasto*
22:30 – A pena da realidade *
Obra: Love. Adam Fuss. 1992. MetMuseum.Não te darei joias, nem ouro, nem prata, nem pedras preciosas. Não te darei casas, praieiras ou campesinas. Não te darei automóveis, antigos ou ultramodernos. Não te darei um buquê de flores no inverno, nem uma rosa na primavera. Não te darei sorrisos largos quando eu estiver triste, nem contarei … Continue lendo 22:30 – A pena da realidade *
"Algo se quebrou"
Quadro: The Fortune-Teller. Georges de La Tour. 1630 (data provável).“Algo se quebrou” é uma expressão muito usada e que traduz a fraqueza de caráter do usuário. Empregada frequentemente quando o comodismo e as ações reprováveis são ameaçados com a luz da verdade e da ética, “algo se quebrou” é praticamente um hino da desordem moral, … Continue lendo "Algo se quebrou"
22:22 – Espera*
Quadro: At the Lapin Agile. Pablo Picasso. 1905. MetMuseum.Abrir a porta é um gesto mecânico, involuntário. E quando o denso material abre trazendo a luz de fora, que inunda recantos e paredes, a alegria de uma visita me enche de alegria e de uma satisfação incomensurável, distinta, linda. Alegria transpira pela minha pele e chega … Continue lendo 22:22 – Espera*
22:17 – O Sol que espera a noite*
Quadro: Woman with a Parrot. Gustave Coubert. MetMuseum.O sol ainda estava longe e os primeiros raios da manhã já faziam suas saudações às aves próximas quando eu ainda estava acordado, olhando para os vidros embaçados da janela e as cores confusas da aurora. Meus olhos não cansavam de olhar para o nada, cujo plano de … Continue lendo 22:17 – O Sol que espera a noite*
22:05 – deus*
Arte: Statuette of Isis and Horus. 332-30 B.C. MetMuseum. Não se escreve aquilo que se aconselha. Nem se aconselha aquilo que não viveu. A vida deveria dar-me o mundo e suas riquezas. O universo deveria matar-me e fazer-me renascer em todos os milhares de anos. A Igreja deveria tornar minhas falas preces aos injustos sonhadores. E … Continue lendo 22:05 – deus*
22:00 – Mentiras queridas*
Escultura: Marble Statue of a member of the imperial family. Met museumDir-te-ia sobre como o sofrimento adentrou minha casa e instalou-se em meus melhores recantos, mexendo em tudo e pondo continuidade naquilo que não havia mais caminho a ser seguido. De como rebuscou retratos sinceros do meu rosto ao amanhecer da noite turbulenta de sonhos … Continue lendo 22:00 – Mentiras queridas*
21:30 – Alter-ego*
Quadro: The Sofa. Henri de Toulouse-Lautrec. MetMuseumAlimentava-me de suas conquistas como se elas fossem o mais nobre manjar. Respirava seu perfume para que os odores do mundo não ofuscassem seu leve passar entre rosas e gramas. Se suor foi engarrafado e bebido nas noites quentes e, nas frias, destrancava seu calor para um adormecimento tranquilo. … Continue lendo 21:30 – Alter-ego*