O desespero nunca é tão alarmante quando a mão desce ao bolso e o encontra vazio, sem o quadradismo do aparelho celular, sem o peso da conexão, do conhecimento e dos contatos. Nesse vazio desesperador, o coração gela, o sangue para de correr e o mundo entre em um pânico generalizado em que tudo começa … Continue lendo O desespero de perder o celular
Autor: Rafael Rodrigo Marajá
Tipologia de pessoas
É do tipo sem graça. É sem criatividade. É sem beleza interior. É sem exemplos. É sem estratagemas. É sem continuidade. É sem discurso. É sem perspectivas reais. É inadmissível. É excitante. É inacreditável.Essas são características que podem ser atribuídas a um indivíduo ou a um conjunto que compõem a lista de seres que nos … Continue lendo Tipologia de pessoas
Palmeira patinando em fezes
Vista panorâmica noturna de Palmeira dos ÍndiosDepois da longa noite que foi a praga de moscas em Palmeira dos Índios, agora é a vez da falsa indignação dos Palmeirenses com o descaso que está, há muito tempo, a saúde pública municipal. A vez agora é da disenteria (e não desinteria) generalizada que acomete quase dois … Continue lendo Palmeira patinando em fezes
TV em ônibus coletivo
Ônibus com TV em AracajuO aumento nos preços das passagens do transporte coletivo da maioria das cidades tem provocado justificadas revoltas, manifestadas principalmente por estudantes – a classe que mais se manifesta -, pela concepção de que o aumento fere as contas de cada habitante, deixando um déficit sem precedentes no bolso de trabalhadores assalariados … Continue lendo TV em ônibus coletivo
Mundo oceânico
O mar em abstrato de Ana Paula L.O mundo é um oceano com águas espumantes, de um sal libertador, inebriante, que traz à tona a razão e o amor, o próprio, o egoísta, aquele que nos move a ir a diversões individualistas, a gostar de estar só, lendo um livro. Nesse oceano, cabem corações, cabem … Continue lendo Mundo oceânico
Ainda é possível
Às vezes, é possível que exista uma letra de música que martela na cabeça durante a noite, ou um poema que surge com rosto definido. É possível que apareça olhos sorridentes entre vírgulas e pontos, letras e rimas, acordes e melodias. É possível que esteja partido o sentido íntimo que faz surgir tais coisas, sem … Continue lendo Ainda é possível
Desprezo em arquivo
Então a noite entra pelo relógio adentro e o calendário muda a folha do dia. Algumas coisas aparecem e outras desaparecem. Outras, ainda, nem somem. Só crescem. Uma delas, sem esforço, é o desprezo. Uma indiferença tão grande que rompe a linha entre o ontem e o hoje, do amor e do ódio, do caso … Continue lendo Desprezo em arquivo
Uma escultura, um cuidador/guardião e um tentador
Toda escultura precisa ser cuidada por um artista, independente do tipo de trabalho que este faz. Precisa ter seus desejos, inclusive os inenarráveis, satisfeitos. Precisa ser satisfeita de tantos modos e por tantas maneiras diferentes que apenas os que realmente conhecem, por hereditariedade, a matéria pela qual foi feita a inigualável escultura é que pode … Continue lendo Uma escultura, um cuidador/guardião e um tentador
O reinado do Atual e do Ex
Atual e Ex são duas espécies que são, por ordem das convenções sociais, arqui-inimigos ferrenhos que estabelecem, na pirâmide social, o papel excêntrico de inimigos que se amam e que têm em comum um objeto de consumo: as lembranças, as brigas e os segredos públicos entre dois indivíduos, que, sem muito esforço, se tornaram três … Continue lendo O reinado do Atual e do Ex
O homem nas fibras
A computação, lá em suas origens, não era um computador, nem tinha um compilador para mostrar o quão errado era a lógica desenvolvida para mostrar uma matriz. No passado, o ato de computar era bem mais fácil e simples (talvez) e bem mais proveitoso, uma vez que mostrava o quão bom era calcular. Mas, de … Continue lendo O homem nas fibras