Amor telefônico

Pintura: Street at Biskra. Henri Matisse. 1906.

Pegou o telefone, pressionou a teclinha verde. Esperou. Esperou.

Bip. Bip. Bip.

A imagem na telinha exibia: “Chamando…”


O número discado está desligado ou fora da área de cobertura.

A voz da operadora encerrando o sonho de uma tarde de outono.
Bip. Bip. Bip.
Após o sinal deixe seu recado sem pagar nada por isso.
A voz da operadora tornou-se boazinha e agora não cobra nada para quem deixa mensagens de voz (só cobra para quem recebe)
Largou o telefone sobre a cama e muitos sonos depois, muitas gorduras acumuladas adiante,
Bip. Bip. Bip.
                               Após o sinal deixe seu recado sem pagar nada por isso.

Bip. Bip. Bip.

                             Após o sinal deixe seu recado sem pagar nada por isso.

Bip. Bip. Bip

_Ela não está – disse a voz do outro lado da linha
_Eu tinha que entregar uma coisa a ela, mas já que ela não está…
_É (parada charmosa). Ela disse que não está (risadinha)
_Então vou ter que ficar com a coisa
_Ah não, se é meu vai ter que entregar – ela disse
_ (risos)


Deixe um comentário