O dia conflitante

O domingo – que dia tão pretensiosamente maravilhoso.
Os pobres (de bom senso) já acordam ouvindo o melhor das músicas de botequim falido.
Os pobres (de opinião própria) mal abrem os olhos e já buscam o caminho da rua para ter sobre o que falar durante todo o maravilhoso  domingo.
Os pobres (de dinheiro) não têm escolha – são obrigados a passar um domingo com a mesma desgraça de vida que têm durante a semana.
Entretanto, essas características de comunidade nem de longe superam a mania indissolúvel da prática religiosa que acontece só nesse dia da semana. É católico abrindo a igreja para receber os infiéis que só encontram Jesus por uma hora e meia no mês – e nada adianta porque saem pior do que entraram, não todos, é evidente. São protestantes que abrem suas portas comerciais – igrejas que são negócios e funcionam em pontos comerciais são negócios por adaptação da realidade -; e as que possuem prédio próprio salvam ao menos a reputação da doutrina pregada.
É interessante como só no domingo as pessoas querem buscar um Ser fofoqueiro que habita igrejas (pontos comerciais); que só no domingo querem se redimir pela falta de ética, de compromisso, de caridade com o próximo. 
E acaba que o PRIMEIRO dia da semana (e não o último) acaba com fama ruim. 
Há salvação, no entanto!
E ela está nos shoppings, nas praias, nos parques, nas praças, nas reuniões informais e, acredite, nas igrejas (pontos comerciais)!
A salvação, não apenas do domingo, está em todas as pessoas que vivem, e não apenas existem!; naqueles que buscam aproveitar suas vidas e seus recursos – seja em casa ou se desidratando em uma faixa de areia qualquer.
O domingo é irritante, monótono, desgastante. E é um refúgio.
Apesar de possuir sentimentos tão conflitantes, é esse  dia de todo o mal, de toda a gula e preguiça, de toda a fornicação e traição, de todo estudo e reflexão.
Portanto, domingue-se na medida certa!
Fonte na própria imagem

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