Diálogo Anticoncepcional

Pílula do dia seguinte. foto: caldeiraodopaulao.com.br
Tarde quente, chata, sonolenta.
– Me dá água. Preciso tomar meu remédio – ela diz.
– Vá na geladeira e tome – retruco.
– Não! Eu quero que você me dê! – implica.
– Então você vai morrer – e vejo um pequeno comprimido em sua mão. Branco e revelador. Finjo-me de morto. Ela continua esperando.
– Eu tenho que tomar meu remédio na hora certa! – eu sei que ela tem que tomar. Pílulas anticoncepcionais só têm efeito se tomadas diariamente e no mesmo horário. Penso. Não digo nada.
– E eu com isso? – finjo-me de inocente.

Algumas pessoas realmente acreditam que métodos contraceptivos são de conhecimento apenas do mundo feminino. Essas pessoas não fazem ideia que qualquer um pode não só conhece-los como ter opiniões formadas sobre todos eles.
Tenho um sorriso interno de ridicularização da inteligência ao saber que é ingênua ao ponto de não notar meu ato lesivo à sua falsa mentira. Remédio é para quem está doente, não para quem transa com o primeiro namorado como se fosse o único e último do mundo, em um processo engordativo – provocado pela pílula – e desmerecendo-se diante da opinião pública ao tentar achincalhar o conhecimento alheio.
 – TOME SUA ÁGUA, DOENTE.

Não é exagero dizer que, não por culpa da água nem da falta de pílula, um embrião ainda há de aparecer naquela barriga.

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